sábado, 24 de maio de 2014

Outro viés .

A noite é clara e marcante, parece edificante
Mas das tantas janelas se ouvem sacrilégios

Em meio aos assédios, são jogados, dos prédios,
drogas, seringas e remédios 

São ouvidos gritos, pedidos de suicídios,
vozes aflitas e brados de angústias 

Não há mais nenhuma astúcia,
apenas garrafas vazias no carpete

Palavras venenosas se repetem
são lançadas como confetes
na amarga festa do Chaos

Os trajes da festa não foram criados,
são apenas trapos, sujos de escarro...

 Acabou-se a água pras tantas pílulas
e as perfídias são engolidas secas,
tocam a garganta crespa,
e arranham o corpo por dentro

Os gatilhos com sons de lamento
impossibilitam qualquer progresso

"Os lábios de veneno e insídias"
continuam entreabertos

E o ácido corrói tantas vidas
que elas nem mais cabem
em seus próprios infernos.





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Encanto perdido .

A centralizada imagem,
de cunho hermético
- sem as bagagens
dos sábios ascéticos -
desobstrui a cortina 
das janelas visuais,
reverbera e ilumina
as nuances naturais,
sombreia e desrotina
vergonhas abismais.

sábado, 17 de maio de 2014

Ode às máscaras.


A apreensão já perdeu
essa guerra “maldita”
Deixou-me aflita,
mas se esmoreceu

O hino do espanto
foi necessário
Ponham seus mantos
e escapulários,
e apontem os dedos
nunca culpados,
continuamente,
para o lado contrário

A grande guerra rendeu,
então, finalmente,
vários sósias de Deus
(não podem ser gente)

Direcionaram os holofotes
para os jardins vizinhos
Reconheceram-se fortes,
no alheio extermínio

Mas tudo o que está exposto
em nada realmente expõe
Para o pó irá todo o corpo
- encaixotado nos padrões -

O íntimo está na mente,
no campo das reflexões
Não venham com novas algemas,
vulgares são suas prisões!

Taken, de David Palumbo

quinta-feira, 15 de maio de 2014

As raízes humanas .

Raízes migratórias
seguem a procissão
Infiltram-se na história
da excomunhão

Abandonam a terra,
o recanto natural
Tornam-se motosserras
do seu "eu" original

Agora se contorcem,
os homens sem raízes,
Se perdem e morrem
sem suas matrizes

Mas ao verem quadros
de pinturas realistas,
ora veneram o abstrato
ora o expurgam das vistas

Incompreendem o retrato
enquanto são retratados
Não enxergam a Arte
quando dela são parte

Tanto se distanciaram
de si mesmos
que se auto-encaram
com desprezo...







segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sorry for the mess .

Lúdicas sombras na mente
e o veneno da Serpente
escorre com destreza
O pensamento é latente
O ato é inconsequente
e as injúrias a certeza

Não rebato críticas
de quem não supera
minhas expectativas
Meu pensar enterra
gente supérflua
de forma tranquila

Realmente não me importo
Tanto faz o seu "nível"
Nem com prolapsos desloco
moralismos fingidos

A prisão é o castigo
das retóricas frágeis,
toscas e previsíveis
Eu rasgo em pedaços
seus ideais incabíveis

e a sua Moral,
com a qual,
sempre engasgo.